A parte final do depoimento de Moreira Franco a Aspásia Camargo, quando confrontada com as inúmeras notícias envolvendo as relações de Jair Bolsonaro e da direita brasileira com a Justiça, impõe uma reflexão incontornável: algo se fez de errado — e de muito errado — na redação do capítulo da Constituição Federal relativo ao Ministério Público e à Justiça.
Tive a honra — dobrada — de ler “Moreira Franco – Política como Destino”, por acompanhar a construção da obra em diferentes fases: primeiro, ainda como rascunho; depois, na versão final antes da publicação; e, recentemente, na edição definitiva, já disponível ao público.
Eu recebi um exemplar como presente dado pela Aspásia Camargo, com a dedicatória: “Para Jackson, amigo e cúmplice desta epopeia. Com admiração e amizade”.
Não se trata apenas de um livro de memórias. É um documento histórico.
A obra se insere na tradição de registros fundamentais da política brasileira. Ela dialoga, em relevância institucional, com os Diálogos da Presidência, de Fernando Henrique Cardoso; personagem presente na vida do Moreira Franco e, com destaque no livro. Tem a densidade intelectual da trilogia de Lira Neto sobre Getúlio Vargas; aproxima-se da correspondência entre Getúlio e Alzira, livro organizado por Adelina Novaes e Regina da Luz Moreira; e conversa com Artes da Política — Diálogo com Amaral Peixoto, conduzido por Aspásia Camargo e contribuição de Lucia Hippolito, Maria Celina e Dora Rocha.
Mais do que uma narrativa pessoal, o livro oferece uma chave de leitura para compreender decisões institucionais que moldaram o Brasil contemporâneo.
Eu fui espectador privilegiado de vários episódios ali relatados — e talvez por isso a leitura tenha sido, para mim, ainda mais significativa.
Entender como se desenharam determinadas engrenagens institucionais é condição para avaliar seus efeitos no presente é uma obrigação que me imponho como estrategista.
Na quinta-feira, 5 de março, Moreira Franco estará na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, às 19h. Terei a oportunidade de abraça-lo e, certamente, agradecer a Aspásia pelo legado que ela construiu ao ouvir Moreira Franco com paciência. O roteiro desse trabalho, ela relata numa espécie de prefácio, com o título “A Geração de 1964 e o Legado de Vargas”.
Liberdade, meu senhor.
AREOPAGÍTICAHouve busca e apreensão de três aparelhos celulares e de um computador do jornalista maranhense Luís Pablo, em razão de uma investigação sobre alegados atos

