O que acontecerá no próximo dia 15 de setembro? A explosão de uma bomba com poder avassalador ou o som de um estalinho? O que se pode esperar — ou o que se deseja, de fato? Porventura, “as montanhas entrarão em trabalho de parto e nascerá um ridículo rato”?
O exercício do poder no Brasil tem dado como desfecho às crises políticas, mediações e acordos. Na história política brasileira, não há exemplos que contrariem essa tese. Talvez em nenhum outro país se tenha, como aqui, a aplicação do melhor sentido da política — um instrumento capaz de dar aos conflitos humanos uma saída pacífica —, ainda que em prejuízo da maioria da sociedade.
Os exemplos estão postos desde o grito da Independência até o retorno da Presidência da República aos civis, em 1985, passando pela conquista da anistia e pela liberdade de atuação da Assembleia Nacional Constituinte. Deixou-se no povo a sensação de conquista da democracia, embora ele fosse, naquele momento, governado por um dos comparsas dos ditadores.
Houve também a acomodação dos inconformados com as eleições de Collor e Dilma.
É sempre de bom juízo lembrar que os dias de Goulart foram prolongados por um parlamentarismo de ocasião e encerrados com uma simples declaração de vacância da Presidência, embora o presidente estivesse presente. Também nos conformamos quando, depois de dormir numa monarquia, acordamos numa república, sem que ninguém nos dissesse uma palavra sobre as causas e as consequências daquilo.
Aguardemos o dia 15 de setembro, com fé absoluta em nosso jeito próprio de resolver os problemas que por aqui se criam. Muda-se tudo para que ao final, nada mude.


