A acessibilidade é algo que os administradores públicos não compreendem. Fazem dela palavra de ordem de uso retórico no mandato e publicitário nas campanhas. Está aí a causa das cidades brasileiras, principalmente, as metrópoles, serem quase inteiramente inacessíveis para as pessoas de vida comum e bem pior para aquelas que têm qualquer tipo de deficiência.
Quem sabe não funcionaria bem levar para o conceito de acessibilidade a definição de limitação? Desse modo, incluiríamos todas as pessoas no universo de dificuldades. Todos somos pessoas com deficiências, porque limitados, uns mais ou outros menos, sejamos ricos, pobres, negros, brancos, pardos, prefeitos, presidentes, vereadores, deputados, senadores, cidadãos honestos ou não.
Para resolver as limitações, todos, indistintamente, precisamos de equipamentos. A vista curta pede óculos. A vista completamente apagada, a leitura adaptada. Uns com mais outros com menos. Uns num campo da vida, outros em diferentes campos. Temos necessidade de sair pelo mundo adaptando-o às nossas incapacidades.
Com dificuldade para enxergar, as pessoas usam óculos e aumentam as fontes de escrita. As pessoas cegas precisam do braile nas escolas, nas calçadas e de som nos sinais de trânsito.
As pessoas obesas preferem as cadeiras largas e todos, gordos, magros, atletas ou sedentários, usam os elevadores. Ninguém deeria ter dificuldade para entender que os cadeirantes, os cegos, os surdos e outras pessoas com limitações mais graves, precisam de equipamentos adaptados que lhes facilite o ir e vir com dignidade.
Seres limitados, deficientes como somos todos, exigimos cidades adaptadas e, podemos exigir, porque pagamos por elas.
Vou ao livro de Eclesiastes para ressaltar que a deficiência nos chega até pelo cumprimento dos anos.
“Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento; Antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva, No dia em que tremerem os guardas da casa, e se encurvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas. E as portas da rua se fecharem por causa do baixo ruído da moedura, e se levantar à voz das aves, e todas as filhas da música se abaterem. Eclesiastes 12:1-14
Por Jackson Vasconcelos


