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Qual a missão? Fazer barulho.

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UNIÃO BRASIL, ora essa! PL, Partido Liberal? Sério mesmo?Um parece marca de açúcar e o outro conta uma mentira, pois de liberal nada tem, nem mesmo uma história digna, após a morte de Álvaro Valle.

A política brasileira parece ter desistido das ideias e apostado no marketing. Os partidos já não procuram traduzir uma identidade, uma tradição ou um conjunto de princípios. São nomes genéricos, vazios de significado.

Agora surgiu o partido Missão. Chegou ontem e já quer sentar na janela. Há risco de conseguir, porque o eleitor brasileiro está sempre disposto a uma nova aventura. Também, diante das opções que temos, não é difícil entender o motivo.

Mas voltemos ao União Brasil. Sabe de onde ele veio? Da fusão entre PSL e Democratas. E o Democratas nasceu da mudança de nome do PFL, partido ao qual me filiei em 1986, por convicção liberal. É nesse ponto que a minha irritação começa.

Minha ficha de filiação ao PFL foi abonada por Rubem Medina e Marco Antônio Maciel, minha referência liberal na juventude.

Marco Maciel completaria 86 anos no próximo dia 21. Rubem Medina faria 84 em 1º de setembro. Deus, talvez já de saco cheio da política brasileira, não tem permitido reposição.

Foram César Maia e Jorge Bornhausen que decidiram batizar o PFL como Democratas. Bornhausen está com 88 anos; Maia, com 81.

O cientista político Antônio Lavareda, especialista em pesquisas eleitorais, conta essa história em Emoções Ocultas:

“Avançando no processo de sua ‘refundação’, iniciado três anos antes, o Partido da Frente Liberal (PFL) — criado na conjuntura da transição para o governo civil por uma dissidência do Partido Democrático Social (PDS), que sucedera à Aliança Renovadora Nacional (ARENA) — mudou seu nome para Democratas, denominação escolhida com base em pesquisas que fui convidado a coordenar. Mais importante, a mudança foi acompanhada pela renovação da sua direção, entregue a uma nova geração de líderes que não eram sequer nascidos à época do golpe militar de 1964.”

Renovação? Quem representou essa “renovação”? Os filhos de Maia, Bornhausen e Antônio Carlos Magalhães: Rodrigo Maia, Paulo Bornhausen e ACM Neto. Quando os meninos brigaram surgiu esse troço com nome de açúcar ou café, União Brasil.

Sinto saudades do PFL. Durante anos, li os Cadernos Liberais, idealizados por Marco Antônio Maciel e publicados pelo partido. Neles estavam a defesa da economia de mercado, de um Estado enxuto e institucionalmente forte, do federalismo, da reforma administrativa, da reforma política e da responsabilidade fiscal.

Foi no PFL que tive meus primeiros contatos com Merquior, Raymond Aron, Karl Popper e Alexis de Tocqueville.

Hoje, os partidos parecem empenhados em deseducar o eleitor, começando pelos próprios nomes. Avante. Solidariedade. Podemos. União Brasil. Avante para onde? Solidariedade com quem? Podemos o quê? E união em torno de quais princípios? Missão? Qual? Fazer barulho? Falar alto?

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