”.
Vargas já se considerou insubstituível. Brizola também. Ulysses Guimarães mais ainda e Tancredo Neves, esse então…
“Os cemitérios estão cheios de homens insubstituíveis.” A frase de Antoine de Rivarol atinge um ponto sensível da natureza humana: a ilusão da indispensabilidade.
O debate político nacional tem girado de forma obsessiva, em torno de duas figuras: Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, mesmo quando eles, presos, não podem comparecer à disputa. Em 2018, Haddad substituiu Lula. Este ano, Flávio cumprirá a mesma sina em nome do pai.
Ambos são cercados por narrativas que os colocam como peças únicas, quase inevitáveis no tabuleiro político. Mas a pergunta que se impõe é simples e desconfortável: serão eles realmente insubstituíveis?
A história diz que não.
Nenhum líder, por mais popular, carismático ou polarizador que seja, escapa à lógica do tempo. Impérios foram construídos e desmoronaram; líderes considerados indispensáveis desapareceram, e o mundo seguiu adiante — às vezes melhor, às vezes pior, mas sempre em movimento.
A política, em especial, é um terreno onde a substituição não é exceção: é regra.
Lula e Bolsonaro tornaram-se símbolos de visões de mundo opostas, mas também de uma dependência estrutural: a ideia de que sem eles não há futuro.
Esse fenômeno é apenas fruto de um conforto psicológico que leva alguns a acreditar em alguém capaz de “resolver tudo” — um salvador, um antagonista necessário, uma referência fixa em meio ao caos.
Essa dinâmica alimenta a polarização e empobrece o espaço político, reduzindo a complexidade do país a uma disputa binária.
A realidade é dura e mais madura do que isso.
Lula não é eterno. Bolsonaro também não. Seja pelo desgaste natural do poder, por limitações pessoais, ou simplesmente pelo avanço do tempo, ambos deixarão de ocupar o centro da política brasileira e quando isso acontecer, o país não desaparecerá. Alguns não verão o futuro, mas ele virá por bem ou por mal.
A verdadeira questão, portanto, não é se Lula e Bolsonaro são insubstituíveis. A questão é que o Brasil se comporta como se fossem.
O sentimento revela a fragilidade institucional, a carência de lideranças de verdade e a persistência de um sistema político que dificulta o surgimento de alternativas.
Se há algo que a frase de Rivarol nos lembra é que a história não se curva a indivíduos, por mais influentes que eles sejam. Ela os absorve, os substitui e segue em frente.
O Brasil, cedo ou tarde, fará o mesmo. Quanto mais cedo o povo brasileiro entender isso, maior será a chance de trocar a dependência de nomes pela força de ideias.

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VIVO E APRENDO. BANCO DA MULHER.
É tempo de eleição e, mais uma vez, vejo candidatos ao governo do Rio de Janeiro percorrendo o mundo e cercando-se de especialistas para propor

