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“O voto também canta”.

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Foi um carnaval polêmico. Haroldo Costa, certamente, gostaria de ter assistido e de ter comentado, mas ele faleceu em dezembro, pouco antes do Natal. Viveu longos 95 anos. Uma vida que deixou legados para o povo brasileiro.

Tenho Política e Religiões no Carnaval, de Haroldo Costa. O livro não é um trabalho puramente acadêmico, nem apenas memorialístico. Ele ocupa um espaço híbrido: entre o ensaio interpretativo e o testemunho de quem viveu por dentro o universo das escolas de samba.

A presença das religiões no Carnaval está no livro: o catolicismo popular; a religiosidade afro-brasileira (candomblé e umbanda); o sincretismo religioso e as tensões entre o sagrado e o profano.

É uma leitura agradável desde o prefácio, assinado pelo jornalista Villas-Bôas Corrêa: “O voto também canta”. Villas-Bôas faleceu em outro dezembro, nove anos antes de Haroldo — dezembro de 2016. Seguimos, ao que parece, sem reposição à altura desse belíssimo material humano forjado pela geração passada.

Para Haroldo Costa o carnaval é também arena política e palco de construção de narrativas históricas e identitárias. Ele analisa os enredos das escolas de samba e aponta que ao longo do século XX, eles passaram a refletir homenagens a figuras políticas; críticas sociais, veladas ou explícitas; temas nacionalistas; e narrativas sobre poder, cidadania e exclusão.

Depois do desfile deste ano e da polêmica criada pelos evangélicos, resta alguma dúvida sobre a atualidade da obra de Haroldo Costa?
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