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LIBERDADE DE EXPRESSÃO

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Jackson Vasconcelos – 19 de junho de 2025

Os conceitos de liberdade e censura, verdade e aparência, autenticidade ou hipocrisia, tornam-se cada vez mais adaptáveis ao gosto do freguês, do mesmo modo que os papéis de vilão e herói. Então, com uma dose, mesmo pequena, de engenhosidade intelectual e porca oratória jurídica, a liberdade de expressão pode ser modulada à conveniência de quem a considera. Assim funcionam os autoritários sofisticados, que colocam limites à liberdade de expressão com o discurso de respeito ao outro. A repressão veste, então, as roupas da imaculada romana.  As roupas dos vestais! 

As atitudes dos vestais empurram a sociedade para o campo da hipocrisia, pois os dissidentes sentem-se obrigados a usar o disfarce de adulador a tecer ironias. Mas, a ironia é instrumento de inteligências privilegiadas e como, ao que parece, não as temos mais na política, a liberdade de expressão perde uma de suas mais brilhantes alternativas para existir. 

Em resumo: a liberdade de expressão deixou de existir por aqui. Isso não é novidade, contudo, pois o Brasil é um campo fértil para as ditaduras. Elas compõem a nossa história. Mas, em outros tempos, quando a ditadura incomodava mais os elementos da esquerda, gente criativa, a ironia e o disfarce estavam na música, no teatro, nos discursos, nos jornais, como modos de enganar os censores. Hoje a ditadura está imposta aos elementos da direita, gente sem tanta criatividade e inteligência para o uso da ironia. 

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