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A campanha na teoria dos jogos.

1. Introdução

A Teoria dos Jogos procura compreender situações em que o resultado da decisão de uma pessoa depende também das escolhas feitas por outras.

Ela recebe esse nome porque organiza a realidade como um “jogo”, composto por:

  1. jogadores: pessoas, partidos, governos, empresas ou países;
  2. estratégias: as decisões disponíveis para cada jogador;
  3. ganhos e perdas: as consequências de cada combinação de escolhas;
  4. informações: aquilo que cada jogador sabe — ou acredita saber — sobre os demais.

Na política, os jogadores podem ser candidatos, partidos, parlamentares, governos, eleitores ou países. Cada um toma suas decisões tentando antecipar a reação dos outros.

A Teoria dos Jogos, portanto, é muito útil para responder a uma pergunta:

Se cada participante agir de acordo com os próprios interesses, quais resultados poderão surgir?

Mas ela não é uma bola de cristal. Ajuda a organizar o raciocínio, porém não elimina a imprevisibilidade da política e do comportamento humano.

2. Um exemplo simples: situação e oposição

Imaginemos que o governo apresente uma proposta considerada importante para o país. Governo e oposição possuem duas alternativas:

  1. cooperar, negociando um texto comum; b) confrontar, procurando derrotar e desgastar o adversário.

O jogo pode ser representado da seguinte maneira:

GovernooposiçãoResultado provável
CooperaCooperaAprovação negociada e benefício coletivo
CooperaConfrontaGoverno faz concessões, mas pode sair politicamente enfraquecido
ConfrontaCooperaOposição ajuda na aprovação, mas o governo fica com os méritos
ConfrontaConfrontaParalisia, radicalização e possível prejuízo para todos

O melhor resultado coletivo pode ser a cooperação. Entretanto, cada lado pode temer que o adversário use sua disposição para negociar como sinal de fraqueza. Por isso, mesmo quando a cooperação seria melhor para todos, os jogadores podem escolher o confronto. Essa situação se aproxima do conhecido Dilema do Prisioneiro: a busca individual por proteção ou vantagem pode produzir um resultado pior para o conjunto.

3. O que é o Equilíbrio de Nash?

O equilíbrio de Nash ocorre quando nenhum jogador tem interesse em mudar sozinho sua estratégia, considerando a escolha dos demais. Isso não significa que o resultado seja justo; eficiente; moralmente correto; bom para a sociedade; o melhor resultado possível. Significa apenas que, naquela situação, ninguém consegue melhorar o próprio resultado alterando sua decisão unilateralmente.

No exemplo político, governo e oposição podem permanecer no confronto porque nenhum dos dois deseja ser o primeiro a recuar. A paralisia pode, assim, transformar-se em equilíbrio e um equilíbrio pode ser estável e, ao mesmo tempo, ruim para todos.

Essa é uma das lições mais importantes da Teoria dos Jogos.

4. Por que a Teoria dos Jogos não é infalível?

4.1. A racionalidade humana é limitada

Os modelos mais simples costumam pressupor que os jogadores conhecem todas as alternativas; calculam corretamente os riscos; compreendem as consequências e procuram maximizar seus ganhos.

Na vida real, ninguém possui capacidade ilimitada de cálculo. As pessoas tomam decisões influenciadas por: emoções; crenças; informações incompletas; preconceitos; orgulho; medo; raiva; aversão à perda e necessidade de preservar a própria imagem.

Um candidato pode, por exemplo, recusar uma aliança eleitoral matematicamente vantajosa porque considera o acordo incompatível com sua história ou porque teme ser acusado de incoerência. (DENISE FROSSARD NA CAMPANHA DE 2006 É O MELHOR EXEMPLO)

A decisão pode parecer irracional para um observador, mas fará sentido para o político quando entram no cálculo sua identidade, sua reputação e seus compromissos anteriores.

4.2. Os ganhos não são facilmente calculáveis

Nos modelos, atribuímos valores aos resultados. Na política, entretanto, é difícil determinar o verdadeiro valor de cada alternativa.

O que vale mais para um partido? ocupar um ministério; eleger mais deputados; vencer a eleição presidencial; preservar sua identidade; manter o apoio de sua base ou preparar-se para a eleição seguinte? Cada jogador pode avaliar essas recompensas de forma diferente. Além disso, nem sempre revela suas verdadeiras preferências. Um partido pode anunciar que não deseja cargos, quando, na realidade, está aumentando o preço de sua participação na coalizão. Outro pode ameaçar abandonar o governo sem ter nenhuma intenção verdadeira de fazê-lo.

A estratégia depende, então, não apenas da realidade, mas também daquilo que cada jogador acredita a respeito dos demais.

4.3. A informação pode ser incompleta ou imperfeita

Existe informação incompleta quando um jogador desconhece características ou intenções do outro. Existe informação imperfeita quando ele não conhece todas as decisões anteriormente tomadas durante o jogo.

Na política, um presidente pode não saber: quantos parlamentares realmente votarão com o governo; se um partido cumprirá o acordo; se uma ameaça da oposição é verdadeira; como a opinião pública reagirá; se uma crise econômica mudará as prioridades dos eleitores Consequentemente, uma estratégia pode ser racional diante das informações disponíveis e revelar-se desastrosa quando aparecem fatos desconhecidos.

4.4. Pode haver mais de um equilíbrio

Um mesmo jogo pode apresentar diferentes Equilíbrios de Nash.

Em uma disputa eleitoral, por exemplo, dois partidos podem lançar candidatos próprios; formar uma aliança; apoiar um terceiro candidato ou desistir da disputa em troca de participação futura no governo. Mais de uma dessas combinações pode ser estável. A teoria identifica os resultados possíveis, mas nem sempre consegue determinar qual deles prevalecerá.

A escolha pode depender de: confiança pessoal; acontecimentos inesperados; convenções políticas; negociações reservadas; pressão dos eleitores; liderança e capacidade de comunicação. Portanto, a existência de um equilíbrio não significa que ele seja o único resultado possível.

4.5. Os jogadores cometem erros

As pessoas podem: votar no botão errado; interpretar mal uma declaração; divulgar uma informação antes da hora; confundir uma ameaça com uma decisão definitiva e/ou responder emocionalmente a uma provocação.

A própria Teoria dos Jogos desenvolveu o conceito de equilíbrio perfeito em mão trêmula, associado a Reinhard Selten, para considerar a possibilidade de pequenos erros na execução das estratégias. Isso exige uma correção no argumento inicial: o erro não está completamente fora da teoria. Ele pode ser incorporado aos modelos. O problema é que, no mundo real, não sabemos com precisão quais erros ocorrerão, com que frequência nem que consequências produzirão.

Na política, um comentário mal formulado pode romper uma aliança ou iniciar uma sequência de retaliações que nenhum dos participantes havia planejado.

5. Exemplo da política brasileira: o presidencialismo de coalizão

O Brasil possui um sistema presidencialista com representação proporcional; multipartidarismo; um Congresso com numerosos partidos e separação entre Executivo e Legislativo. O presidente é eleito diretamente, mas precisa do Congresso para aprovar leis, reformas, orçamento e outras medidas.

Surge, assim, o chamado presidencialismo de coalizão: para governar, o presidente normalmente precisa construir uma base parlamentar formada por diferentes partidos. O conceito foi consagrado na Ciência Política brasileira por Sérgio Abranches e continua sendo objeto de extensa pesquisa acadêmica. 

Podemos organizar esse processo como um jogo:

JogadorO que procura
PresidenteApoio para aprovar sua agenda
Partidos aliadosParticipação política, influência e atendimento de suas pautas
ParlamentaresRecursos, visibilidade, políticas para suas bases e reeleição
OposiçãoFiscalizar, impedir determinadas propostas e apresentar-se como alternativa
EleitoresRepresentação, políticas públicas e resultados concretos

O presidente pode calcular quantos votos precisa e quais partidos poderiam fornecê-los. Mas o cálculo matemático não é suficiente, pois um partido pode integrar formalmente o governo e não entregar todos os votos prometidos. Um parlamentar pode apoiar o governo em uma matéria e votar contra ele em outra. A opinião pública pode modificar o custo de uma aliança. Uma crise ou denúncia pode alterar subitamente o comportamento dos jogadores.

A Teoria dos Jogos ajuda a mapear os incentivos, mas não consegue prever perfeitamente: a fidelidade dos parlamentares; o surgimento de crises; a repercussão de uma decisão; o peso das relações pessoais e a mudança da opinião pública.

6. Um segundo exemplo: polarização eleitoral

Considere dois candidatos adversários. Cada um pode escolher entre: realizar uma campanha propositiva ou radicalizar o discurso e atacar o adversário.

Se ambos fizerem uma campanha propositiva, o eleitor poderá comparar programas. Contudo, cada candidato teme que o outro radicalize e mobilize mais intensamente sua base.

O resultado pode ser este:

  1. Um candidato aumenta o tom para não perder espaço.
  2. O adversário responde com intensidade maior.
  3. As bases passam a exigir novos ataques.
  4. Recuar passa a ser interpretado como fraqueza.
  5. Os dois ficam presos em uma escalada de radicalização.

A estratégia pode gerar engajamento eleitoral para cada lado, mas deteriorar o debate público. Temos novamente um resultado individualmente compreensível e coletivamente prejudicial.

Esse exemplo também mostra por que a política não pode ser explicada somente pela racionalidade econômica. Identidade, ressentimento, medo e pertencimento ao grupo entram no cálculo.

7. Teoria dos Jogos: previsão ou instrumento de análise?

A melhor forma de compreender a Teoria dos Jogos é tratá-la como uma bússola analítica, não como uma máquina de prever o futuro.

Ela permite:

  • identificar os jogadores;
  • compreender seus interesses;
  • organizar as estratégias disponíveis;
  • estimar reações;
  • localizar possibilidades de cooperação;
  • perceber situações de conflito;
  • descobrir como as regras modificam os incentivos.

Entretanto, sua capacidade de previsão depende da qualidade das premissas e das informações utilizadas.

Se atribuirmos aos jogadores interesses que eles não possuem, escondermos variáveis importantes ou presumirmos uma racionalidade inexistente, o modelo poderá ser matematicamente perfeito e politicamente equivocado.

8. Conclusão

A Teoria dos Jogos não afirma que os seres humanos são peças de um tabuleiro. Ela oferece uma linguagem para estudar decisões interdependentes: eu escolho considerando o que você poderá escolher, enquanto você faz exatamente o mesmo em relação a mim.

Na política, isso acontece permanentemente:

  • na formação de alianças;
  • nas votações parlamentares;
  • nas campanhas eleitorais;
  • nas negociações entre governo e oposição;
  • nas relações internacionais;
  • na distribuição do poder.

Sua grande virtude é mostrar que as decisões não acontecem isoladamente. Sua principal limitação é tentar representar, por meio de modelos, jogadores que carregam emoções, histórias, valores, informações incompletas e capacidade limitada de cálculo.

Por isso, a conclusão da aula pode ser resumida assim:

A Teoria dos Jogos não prevê infalivelmente o que as pessoas farão. Ela nos ajuda a compreender por que determinadas escolhas são possíveis, quais incentivos as sustentam e como decisões individualmente racionais podem produzir resultados coletivamente desastroso

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MENTORIA

Jackson Vasconcelos – 13 de junho de 2025

Ofereço a você a minha experiência num assunto que você, talvez acredite não ter importância a ponto de merecer a sua atenção e cuidado.  Eu sou orientador em política, mentor, na linguagem profissional. 

Bacon, Locke e Hume sustentaram que o conhecimento é produto da experiência e da experimentação e, por isso, passível de aprimoramento. Eu traduzo do seguinte modo: aprimora-se o conhecimento tanto mais experiência se tenha e tanto mais experimentação se faça. 

Quando o tema é política, afirmo: eu tenho acumulado experiência e conheço boas e más experiências. De tudo isso, recebo conhecimento todo o tempo. Lido com a política, diretamente, desde 1982. Pensando melhor, posso dizer que desde antes disso. Na verdade, na verdade, desde 1974, quando ocupei a função de assessor parlamentar na Câmara dos Deputados. Leio, estudo, analiso, escrevo, acompanho. 

A política é uma efervescente atividade; uma ciência que mexe com a vida de todas as pessoas, queiram elas ou não e, portanto, ela age na sua vida, queira você ou não. Ela está em todas as atividades humanas, pode conferir. Está na música, na poesia, na história, no teatro, está nas religiões, ela decidiu libertar Barrabás e crucificar Cristo! A política é a essência das obras de Shakespeare, por exemplo. 

Diante disso, como fica a posição de quem não gosta da política? De quem acha arriscado debater a política, firmar posições e escolhas no campo dela? Eu uso o termo alienação, uma alienação conveniente para quem usa a política sem ter quem o incomode ou cobre as decisões que toma. 

A minha opinião soa filosófica demais? Então, vejamos se é só filosofia. Quem tomou decisões sobre quanto você é obrigado a entregar da remuneração que você recebe pelo seu trabalho.aos governos Quem decide quanto desse dinheiro será destinado para a educação, saúde ou para os carros oficiais, mordomias e conforto de quem está na política? Quem autorizou Lula governar? Quem autorizou o prefeito de sua cidade? Quem colocou no poder os vereadores, deputados, senadores, governadores? Que dinheiro os sustenta?   

Quando a gente fala sobre política, a gente fala sobre Estado e quando fala sobre Estado trata de impostos e quando trata de impostos cuida da administração deles. Você acha mesmo que não vale a pena cuidar um pouco melhor dos mais de 30% do valor do seu trabalho que é entregue à administração dos políticos? Bem, sobre o seu dinheiro você responde melhor do que eu. O que eu posso fazer é ajudar você a entender a política a ponto de saber que é importante não deixá-la de lado.