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O Jeitinho Brasileiro.

O jeitinho brasileiro. 

Amarro o conceito de “jeitinho brasileiro”, à dificuldade que o povo tem em conviver com normas e formalidades. No Brasil, quando há leis, imediatamente, criam-se os antídotos, e o jeitinho é o melhor deles. 

O jeitinho localiza-se num campo de sombra, no ponto cego, entre a legalidade e a ilegalidade. Se puxado para um lado, o jeitinho é algo suportado; se puxado para outro, é ilegalidade e se esticado um pouco mais, pode até ser crime. Para que o jeitinho funcione bem sem dores de cabeça, o legislador brasileiro cria leis confusas e subjetivas o mais possível. Isso dá aos juízes o poder de interpretá-las com amplo campo de liberdade criativa. 

Por exemplo, há leis que proíbem mais de uma reeleição para os cargos executivos e punem o uso da máquina pública como instrumento financiador das campanhas.  Mas, o governador Cláudio Castro antecipou a própria sucessão, quando contribuiu com o desejo do Vice-Governador de ser Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Desse modo, ele abriu a possibilidade de ser sucedido interinamente pelo Presidente da Assembleia, em vários momentos e seis meses antes da próxima eleição, de forma definitiva. O deputado Rodrigo Bacelar poderá, portanto, disputar o governo, ocupando-o antecipadamente sem deixar de ter o comando da Assembleia Legislativa. O jeitinho brasileiro terá dado ao governo mais uma reeleição. 

Em Itaguaí, o Dr Rubão nem precisou usar o jeitinho. Ele cumpre o terceiro mandato consecutivo protegido por decisões judiciais, pois cumpriu um primeiro mandato em 2020 – mandato tampão; depois foi eleito para o segundo mandato e em 2024, disputou a eleição e foi eleito. Embora o resultado esteja sob o exame da Justiça Eleitoral, o Dr. Rubão foi autorizado a assumir o posto e nele aguardar o desfecho final. Ou seja, ainda que a Justiça, em última instância, decida que o Dr. Rubão não poderia exercer o terceiro mandato, ele já o terá exercido. 

“Assim caminha a humanidade” por aqui. 

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VITÓRIA DE PIRRO 

Jackson Vasconcelos – 6 de junho de 2025

“Se formos vitoriosos em mais uma batalha como essa, nós estaremos completamente arruinados”, disse o Rei Pyrrhus de Épiro após vencer os romanos em Ausculum e, na batalha, perder quase todos os seus homens. 

Carla Zambelli, a ré da vez, Daniel Silveira, Ramagem, Gilvan da Federal, Flor de Lis, Wilson Witzel, todos esses personagens surgiram na política nacional em 2018 agarrados ao capitão Jair Bolsonaro. Certamente outros e outras houve. Arolde de Oliveira, no Rio, e Major Olímpio, em São Paulo, com o apoio do capitão foram promovidos da Câmara para o Senado Federal, mas não exerceram os seus mandatos na íntegra, pois COVID-19 os pegou. Para compor o mesmo exército surgiu, na eleição de 2022, o general Braga Neto. 

Arolde de Oliveira, assim que eleito, escreveu e publicou um livro tido como manual de sucesso eleitoral, com um título que o destino desfigurou: “Deus Quis – eleições na era digital.” Quando o senador faleceu faltando-lhe ainda pouco mais da metade do mandato para exercer, autorizou-se a dúvida sobre qual a real vontade de Deus no caso; se elegê-lo senador para um mandato curto, ou se dele fazer uma escada para o suplente. É difícil saber. Pra mim é fácil, pois eu sou daqueles que crê que Deus não se presta ao papel de cabo eleitoral, mas tem gente que pensa diferente.  Jair Bolsonaro pensa. 

E, por falar nele, a situação pra ele também não anda nada boa. Se é justa ou injusta, isso depende do julgamento de quem goste ou não goste dele (uma situação que tem muito a ver com o modo como a Justiça funciona por aqui), mas a verdade é que o cara anda passando um perrengue danado. 

Na sua relação com Deus, Jair Bolsonaro tem afirmado que o grande e eterno arquiteto do Universo poupou-lhe a vida para que ele chegasse à presidência. No entanto, do jeito como as coisas andam pro lado dele, nas orações que, provavelmente, ainda faz, deve estar a incomodar o Criador como fez Castro Alves:  “Deus! Ó Deus! onde estás que não respondes? Em que mundo, em que estrela tu te escondes? Embuçado nos céus?”  

É-me difícil acreditar que Deus depois de entregar ao ser humano a liberdade para decidir por si mesmo e por seus atos o destino da humanidade, fique todo o tempo por aí a consertar as bobagens que fazemos. Imagino que Ele, Deus, deixe esse assunto para resolver após a nossa morte ou para a hora do Juízo Final. Ele é soberano! Embora muitos creiam que não, Deus está acima dos magistrados.  

Por isso, tenho Castro Alves exclusivamente como poeta; um dos melhores do mundo e Jair Bolsonaro como um cidadão a quem os eleitores brasileiros deram a oportunidade de ouro para exercer em plenitude a Presidência da República para que ele pudesse evitar o risco de o país voltar a viver uma situação que seus eleitores imaginaram ter deixado no passado. Mas Jair Bolsonaro tantas fez e tantas deixou de fazer que levou o seu exército a ser quase completamente dizimado. 

Iniciei com o Rei Pyrrhus de Épiro e com ele encerro. O Rei venceu outras batalhas após quase ser derrotado em Ausculum. Faleceu numa delas, atingido por uma telha atirada por uma mulher. Que destino! Pyrrhus caiu, quebrou a coluna e, desse modo, permitiu que o inimigo o decapitasse. 

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“QUEM DÁ MAIS? QUEM DÁ MAIS?”

Na eleição do ano passado, o povo brasileiro votou para escolher prefeitos e vereadores. Houve denúncias de compra de votos e como alguém comprou votos, houve quem os vendesse. A que preço?  Eu ouvi dizer que variou entre 50 e 200 reais e soube de eleitores que venderam o mesmo voto várias vezes. Certamente, nenhum candidato teve certeza de ter comprado e ter recebido (o voto é secreto), uma vez que tem gente nesse país capaz de dar a volta em malandros do melhor calibre. 

Agora, sobre o mesmo assunto, vejam que situação curiosa e trágica, para todos e cômica para quem tem bom-humor: os eleitores brasileiros pagaram aos partidos e, no fim da linha, aos candidatos, o valor total de 4,9 bilhões de reais, quantia transferida dos impostos para o Fundo Eleitoral aplicado em 2024. Pois bem. Façamos a conta. O Brasil tem 155 milhões de eleitores. Portanto, ao valor de 4,9 bilhões de reais, cada eleitor pagou R$31,61 pelo voto. Sendo assim, quem vendeu o voto recebeu o que pagou por ele. Quem o vendeu a um valor maior do que 31,61 obteve um bom lucro. Quem vendeu várias vezes, ganhou na loteria. Mas, peraí. Vender o voto não é crime? Sim. Pagar por ele também não é? Não será crime se o pagamento for via Fundo Eleitoral. 

Resta-nos uma certeza. A democracia é um fruto da cultura de um povo e não da política. 

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VERSALHES, DISTRITO FEDERAL 

Será que a destruição da política chegaria a tanto no Brasil se Brasília não existisse? Se a capital permanecesse no Rio, o povo demoraria a reagir contra os abusos de poder, o tempo que tem demorado? Duvido. Brasília é uma cidade sem povo, onde residem os burocratas bafejados pelos ares de uma aristocracia sem alma. 

Brasília é a nossa Versalhes. Para fazer da corte uma ilha de conforto distante dos súditos, local de mordomias e orgias com o produto do trabalho de uma população miserável, faminta e desrespeitada, Luís XIV mudou a capital da França para um vilarejo distante 19 quilômetros de Paris, naquele tempo, século XVI, uma longa distância. Versalhes, o mais magnífico palácio de toda a Europa, abrigou por mais de 100 anos, uma monarquia sem pudor, cruel, opressora. 

Hoje, nas alucinações frequentes em razão das notícias, que chegam de Brasília, vejo Juscelino Kubitschek vestido de Luís XIV. Lula na pele de Robespierre, que com seus discursos inflamavam as multidões oprimidas – sujeito que deixou a cabeça na guilhotina onde decepou as cabeças dos adversários –  e Luís Capeto – Luís XVI – o rei inepto, mal-educado, sem graça, encarnado no corpo de alguém que conhecemos pelo nome de Fernando Haddad.  

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O INQUISIDOR

“Ponto de Virada. A Bomba e a Guerra Fria”. Eis aí um documentário da Netflix, que eu recomendo e uso como estímulo as considerações sobre Joseph McCarthy, senador que ativou o vocábulo “macartismo”, “caça às bruxas” e coisas semelhantes. Troque-se o sinal de comunismo para liberais e teremos algo semelhante ao que ocorre no Brasil. 

“Joseph McCarthy, era um demagogo com sede de poder e decidiu se tornar conhecido”, diz o documentário. 

McCarthy: “Mesmo que haja um comunista no Departamento de Estado. Um só, ainda assim temos lá comunistas demais”. 

Donald Ritchie historiador do Senado dos Estados Unidos:  “Joseph McCarthy tornou-se sinônimo de qualquer investigação anti-comunista. McCarthy estava procurando espiões no governo, mas, se não os encontrasse, isso não importava a ele, pois existia a chance de acusar alguém de comunista”. 

Joseph McCarthy: “Eu tenho em mãos o nome de 57 indivíduos que são comunistas ou, no mínimo, leais ao partido comunista.” 

Donald Ritchie: “Quem já tinha sido comunista tornou-se suspeito. McCarthy foi além disso. Quem já tinha sido membro de organizações de frente popular progressistas, que tinham apoiado os comunistas nos anos 30 e 40 também podiam ser acusados. Depois, pessoas que conheciam comunistas, se tornaram suspeitas. Pessoas chamadas para testemunhar sobre nomes que apareciam nos jornais, tinham suas casas pichadas. Pessoas eram demitidas de seus empregos sem qualquer tipo de evidência. Foi arrasador para muita gente.” 

Joseph McCarthy: “Chega. Vamos enfrentar todas essas forças que vocês odeiam. Para vencer essa luta precisamos de toda a inteligência, a coragem, a habilidade, o esforço da mente e do corpo. E se uma luta dura for a única luta que os comunistas entenderem, então o Partido Republicano dará a eles essa luta dura.” 

No começo de 1954, Joseph McCarthy foi atrás de supostos comunistas no Exército. Aí, o caldo entornou. Na época, as audiências envolvendo McCarthy e o Exército foram as sessões mais assistidas na história do Congresso.

“A televisão ajudou a construir McCarthy, porque ele sempre aparecia. No fim, a TV ajudou a destruí-lo. Ele passou do ponto, pois é difícil enxergar o Exército americano como uma organização pró-comunismo. Diante das câmeras de TV, McCarthy suava . Ele deixou de ser o herói americano e passou a ser o valentão do parquinho”. 

Joseph Welch, o principal advogado do Exército fez o que talvez seja a pergunta mais famosa daquelas audiências: “O senhor não possui nenhuma decência.. Afinal, não lhe resta nenhuma decência? Se há um Deus no céu, isso não ajudará o senhor ou a sua causa em nada. E a Câmara toda aplaudiu. O Senado votou uma censura a McCarthy. Ele despencou e não aguentou o tranco da impopularidade repentina. Entregou-se ao álcool e morreu aos 49 anos.  

“A sede de poder de um demagogo se traduziu em um momento nacional de intolerância e desrespeito pelas liberdades. McCarthy soube alimentar o medo que os Estados Unidos tinham do comunismo. As investigações raramente provaram algo, mas nunca encontraram um espião”, com a frase, a NETFLIX fechou o segundo episódio. 

Momentos de forte polarização política alimentam o aparecimento de monstros semelhantes a Joseph McCarthy. Portanto, a melhor maneira de evitar tirá-los do inferno de volta para a vida é a política, uma arte incompatível com as radicalizações e com as soluções violentas para os conflitos humanos. 

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POR QUE TRUMP VENCEU? 

Jackson Vasconcelos, 12 de novembro de 2024

Se você deseja uma pista para a razão da vitória do republicano Donald Trump, busque na opinião que têm os americanos da classe média sobre as políticas públicas dos democratas, que fazem caridade aos pobres com o dinheiro de quem trabalha duro e paga impostos. Uma boa dica está no livro “Era uma vez um sonho”, escrito por J. D. Vance, eleito vice-presidente na chapa republicana. J. D. Vance escreveu o livro no tempo em que nem sonhava estar com Trump na empreitada. 

Vamos lá: 

Ele conta as experiências dele como caixa num mercado perto da casa da avó, com quem ele, na época, morava:

“(…). Também aprendi como as pessoas jogavam o jogo da assistência social. Compravam duas embalagens com uma dúzia de refrigerantes com cupons e depois os vendiam com desconto por dinheiro. Eles passavam suas compras separadamente, comprando comida com cupons, e cerveja, vinho e cigarros com dinheiro… Nunca entendi por que nossas vidas eram uma luta sem fim enquanto aqueles que viviam da generosidade do governo tinham um monte de quinquilharias com as quais eu só podia sonhar… A cada duas semanas eu recebia um contracheque e sempre reparava a linha que mostrava os impostos federais e estatais que eram debitados do meu pagamento. Pelo menos, com essa mesma frequência, nosso vizinho, viciado em drogas, comprava cortes de T-Bone, que eu era pobre demais para comprar, mas era forçado pelo Tio Sam a comprar para os outros… Cientistas políticos escreveram páginas e páginas tentando explicar como a população da região central dos Apalaches e do Sul passou de democrata convicta a republicana convicta em menos de uma geração… Grande parte da explicação está no fato de que muitos brancos da classe trabalhadora viram exatamente o que eu vi trabalhando no Dilman’s. Desde os anos 1970, a classe trabalhadora branca passou a se voltar para Richard Nixon porque começou a perceber que, como um homem disse: “o governo estava pagando para pessoas que vivem de assistência social e não fazem nada! Eles estão rindo do nosso país! Nós somos trabalhadores e eles estão rindo da nossa cara porque trabalhamos todos os dias!” (referência: Rick Perlstein, Nixonland: The Rise of a Presidente and the Fracturing of América (2008). 

Fica aqui a minha sugestão de um ótimo livro. 

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A DEMOCRACIA CONVENIENTE

Jackson.  09 de setembro de 2024

O ex-presidente Jair Bolsonaro voltou à Avenida Paulista, em 7 de setembro, com o propósito de sempre queixar-se do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, dando ao evento o apelido de ato em defesa da democracia. Jair Bolsonaro discursava quando alguém, ao longe, provavelmente na mesma avenida, começou a gritar palavras de ordem. Jair Bolsonaro bradou: “Se for possível parar esse som, a gente agradece, ou então eu peço para alguém sabotar; arrancar o cabo da bateria desse carro. Se esse picareta quiser fazer um evento, anuncie, convoque o povo e faça. Não atrapalhe pessoas que estão lutando por algo muito sério em nosso país.”

O “chato” continuou. Jair Bolsonaro também: “Desculpe. Eu não sou o governador, mas eu peço a PM: arranquem o cabo da bateria desse carro. Essa é uma atitude canalha. Vagabundo, que não tem compromisso com o seu país. Quer fazer política, vá fazer em outro lugar”. O cara não parou. Jair Bolsonaro afastou o microfone para dizer: “É foda, cara, é foda!” Ao lado dele, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, falava ao telefone, certamente, homologando o comando antecipado pelo ex-presidente.

Moral da história: Para bastante gente, a democracia ideal é a democracia sem o contraditório. Mas, nisso, esbarramos numa questão: é certo definir como democracia um regime onde não se autoriza o contraditório?

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APOSTO NA POLÍTICA.

21.05.2024

Google proibiu que campanhas políticas sejam impulsionadas pela ferramenta de anúncios Google Ads, o que implica também a suspensão da distribuição paga de conteúdos postados no Youtube. Essa é a resposta do Google às imposições da Justiça Eleitoral, uma delas, a obrigação das plataformas de manter um banco de dados com os conteúdos impulsionados pelos candidatos e partidos políticos.  As normas demonstram, uma vez mais, o grau de desprezo da Justiça Eleitoral pela política, representado pelas restrições à liberdade para se fazer campanhas eleitorais. 

Em razão desse sentimento dos magistrados e correlatos, tenho recebido sugestões para retirar toda a menção à política dos espaços onde publico conteúdos. Jamais farei isso, pois é preciso insistir na defesa da política, tanto quanto se faz a defesa da democracia, uma vez que a política é o único instrumento à disposição do ser humano capaz de tornar possível a convivência pacífica entre as pessoas. Por abolir a política, a raça humana torna-se cada vez mais um conjunto de bestas-feras, fato comprovado pela radicalização e fanatismo. 

É o caso de se perguntar: “É possível uma democracia sem política?” É, e essa situação está representada no populismo. Portanto, quando se toma a abominação à política por parte de quem diz defender a democracia com unhas e dentes e com todos os argumentos disponíveis, inclusive, o uso da força, fica-se com o sentimento de que, para essas pessoas, o populismo é bem-vindo. Ocorre que os populistas apegam-se ao poder a ponto de impedir o revezamento, a alternância, elemento essencial para definir a democracia. 

Quem por aqui anda a defender a democracia com o mesmo furor com que combate a política deveria ler com especial atenção, numa leitura compassada e anotada, o livro do filósofo basco, Daniel Innerarity, “A Política em tempos de indignação – A Frustração popular e os riscos para a democracia”. Como aperitivo, deixo aqui o registro da parte final do capítulo “A Condição Política”: “ O sucesso e o fracasso não são algo absoluto…O horizonte a partir do qual se avalia o sucesso ou o fracasso é diferente porque aquilo que é politicamente possível em cada momento está em constante mutação. Além disso, o êxito não é determinado pelos resultados imediatos; há muitos exemplos de derrotas que foram vitórias no longo prazo, do mesmo modo que há demissões que são, implicitamente, uma vitória. Claro que faz parte da arte da política intuir um estado de opinião do eleitorado, antecipar-se e corresponder ‘às suas expectativas, mas isso não basta para definir, com suficiência, uma política bem-sucedida, já que nesse caso o seu melhor exemplo seria o populista com menos escrúpulos. O sucesso na política e o sucesso político não são, necessariamente, idênticos. 

Numa sociedade estão sendo feitos, constantemente, juízos políticos no curto prazo (pesquisas, opinião nos meios de comunicação, eleições, etc.), mas cada uma dessas avaliações tem um prazo de validade próprio. As avaliações potencialmente duradouras exigem certo distanciamento. Aquilo que parece um êxito visto de perto pode ser um fracasso contemplado a partir de longe. (…) A agitação midiática, o ciclo eleitoral e o juízo da história são regidos por registros temporais diferentes e é quase impossível jogar bem em todos os terrenos. Aos grandes assuntos políticos, apenas a posteridade é que pode julgá-los com rigor, algo que sem dúvida deixará insatisfeito o político que os cidadão julgaram, pensa ele, com muito rigor…O que mostra bem que a política é uma tarefa tão difícil quanto pouco rigorosa.”

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CADÊ O SIVAM? 

20.05.2024

Está na primeira página do Estadão de ontem: “Amazônia tem onda de saques a embarcações por “piratas de rio”. R$100 milhões é o prejuízo anual causado pelos piratas ao transporte de cargas no Rio Amazonas, diz o Instituto de Combustível Legal”. A matéria cita a atuação de duas facções, uma local e o Comando Vermelho, quando a cocaína entra na pauta. A matéria cita o uso de tecnologias contra o crime, inclusive, uma desenvolvida por Elon Musk, celebridade desses tempos de polarização. O Brasil é mesmo um hospício fiscal: torram fortunas com um projeto de monitoramento da Amazônia, aprovado com fortes polêmicas, e não se tem notícias dele, nem nas queimadas, nem agora na pirataria. O Sivam deve ter a mesma utilidade que têm as câmeras nas cidades: divertimento para os usuários da internet. Os agentes de segurança pública 

ODEIAM investigação, pois dá trabalho e queima a cabeça.

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ELES SÃO UNS INTROMETIDOS. 

18.05.2024 

Os agentes do Estado Brasileiro, eleitos, concursados ou nomeados por apadrinhamento, acreditam saber mais do que as outras pessoas, o que é melhor para elas. Eis mais um exemplo: 

O Ministro Paulo Pimenta, agora Ministro Extraordinário,  informou ao distinto público em entrevista à TV (Record): 

“Senhor e senhora que está lá no abrigo me ouvindo agora: Sua casa está debaixo d’água e a senhora sabe que não vai voltar para lã. Tem gente que quer voltar e reformar a casa. A gente tem que considerar também essa hipótese. Ele vai encontrar o imóvel. Não precisa ser na cidade em que ele está.  Nós vamos comprar esse imóvel pra ele. Segunda situação. Nós vamos comprar todos os imóveis – PRESTA ATENÇÃO, SAMUEL – que estão a leilão no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal e que estão desocupados…O Governo Federal vai comprar todos os imóveis que estão em leilão. E vamos colocar eles nesse programa.”  

Vejam que não passa por eles a possibilidade – nem de longe – de devolverem às vítimas o que elas pagaram de impostos ao governo federal ou deverão pagar nos próximos anos, para que elas, por si mesmas, resolvam onde e como morar.