Em 1974, eu prestei concurso para o Banco do Brasil e fui aprovado. Na época, o ingresso no banco se dava como auxiliar de escrita. Após um ano, era possível prestar outro concurso para a carreira de escriturário, que abria caminho para os cargos comissionados.
Poucos conseguiram a proeza no primeiro ano. Eu consegui e fui nomeado assistente administrativo na Divisão de Controle do Departamento de Recursos Humanos, vinculado à Diretoria de mesmo nome.
Uma das melhores lições sobre comunicação veio-me de uma conversa que eu presenciei no gabinete do Diretor.
As nomeações para as gerências do banco eram uma das atribuições do Diretor de Recursos Humanos. Então, o subgerente de uma agência no Espírito Santo procurou o diretor Admon Ganem – um sujeito brilhante – e pediu a ele para ser nomeado gerente-geral em Barra do Piraí.
Ganem perguntou:
— Por que você quer ser gerente em Barra do Piraí?
— Minha esposa é de lá, assim como meus sogros. Ela gostaria muito de voltar. Além disso, será uma oportunidade para eu avançar na minha carreira no banco e me aposentar.
O diretor ouviu, ficou em silêncio por alguns instantes e disse:
— Meu caro, volte para casa e encontre uma razão que me mostre que a sua nomeação é algo bom para o banco, pois até agora, você só me apresentou motivos que agradem a você, a sua esposa e aos seus sogros.
O cara tentou consertar, mas Admon Ganem encerrou a audiência.
Essa é a lição: antes de tentar obter de alguém uma decisão, encontre, na decisão, um modo de atender aos interesses de quem decide. Caso contrário, a chance de receber um não é grande. Isso vale para um pedido de emprego, de casamento, de voto…enfim, vale para qualquer situação.


