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A pulseira, a CPMI e a memória curta da política

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Era 2005, teve início a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que ficaria conhecida como a CPMI do Mensalão. Naquele momento, o povo brasileiro Brasil conheceu os intestinos de um partido e de um governo.

Eu estive lá, como assessor da deputada federal Denise Frossard, que, com autoridade moral, ajudou a CPMI a dar resultados. 

Entusiasmado com a atuação de Denise, o publicitário Michelângelo Moura criou para ela uma pulseira verde-amarela com os dizeres: “Não estou à venda.” O presente foi entregue a ela num final de semana. 

Denise retornou aos trabalhos usando a pulseira. A senadora Heloísa Helena pediu uma. O senador Pedro Simon também. Depois, foi a vez do senador Jefferson Péres.

O deputado federal Eduardo Paes estava na linha de frente da comissão, como relator-adjunto, e quis integrar o grupo dos que diziam não estar à venda. Foi-lhe negada a pulseira. Ele, nos círculos fechados, dizia: “Lula não escapa. “Haverá impeachment, e Lulinha será preso.”

Os representantes do governo Lula estavam em pânico. Não havia coordenação entre eles e o governo. Cada fato novo que chegava à CPMI, envolvendo o PT ou integrantes do ministério, parecia surpreender os próprios aliados.

Nos dias de sessão, os deputados e senadores do PSDB e do PFL chegavam cedo para ocupar os melhores lugares — aqueles alcançados pelas câmeras da TV Globo. A disputa era pelo horário de abertura do Jornal Nacional. 

Até que, certo dia, o PSDB se atrasou. Eduardo Paes, líder do partido, foi o primeiro a chegar, visivelmente tenso, porque o senador Eduardo Azeredo, do partido dele, apareceu enrolado no esquema. A saída encontrada por Eduardo Paes para livrar a cara do partido, foi desqualificar o episódio mineiro com uma frase que se tornaria célebre:

“Uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa.”

Até aquele momento, a população acompanhou tudo em clima de Copa do Mundo, com televisores ligados em casa, nos bares e restaurantes. Quando percebeu que o escândalo também alcançava a oposição, perdeu o entusiasmo e a fé. O movimento popular esvaziou-se. Ainda assim, a CPMI cumpriu o papel que lhe cabia: levou Lula à lona e colocou o PSDB nas cordas. Obteve cassação de mandatos e prisões, porque no STF existia respaldo. 

O tempo passou. Hoje, Eduardo Paes, que foi relator-adjunto da CPMI e viu  do que é capaz o PT, Lula e os aliados, caminha ao lado deles sem constrangimento e em absoluto silêncio sobre Lulinha, que voltou a agir. Sabe-se lá, se em algum momento parou. 

Mas, Eduardo Paes, em campanha para chegar ao governo do estado, esbraveja  contra os adversários pelos aliados que eles têm. 

Na política as convicções parecem ter prazo de validade. 

#Política #Brasil #CPMI #Mensalão #MemóriaPolítica #CongressoNacional

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