“ O compositor Carl Maria von Weber visitou Beethoven…o deprimente, quase sórdido quarto habitado pelo grande Ludwig, se encontrava na maior desordem: partituras, dinheiro e roupas pelo chão, roupa de cama empilhada na cama suja, o piano de cauda, aberto, coberto de grossa camada de poeira e xícaras de café quebradas sobre a mesa”.
Li “A Nova Sinfonia – a obra prima de Beethoven e o mundo na época de sua criação, de Harvey Sachs e aconselho.
A Sinfonia nº 9 em ré menor, op. 125, de Beethoven, é apresentada como uma das obras mais inovadoras e influentes da história da música. Seu último movimento, com coro e solistas, tornou-se um símbolo universal de fraternidade, frequentemente associado a momentos solenes e históricos, como a queda do Muro de Berlim ou a abertura da ONU.
A obra foi apropriada por diferentes grupos políticos e ideológicos — liberais e conservadores, comunistas, nazistas e anarquistas — justamente por carregar valores universais e abertos a múltiplas interpretações. Beethoven, em sua fase final, condensou e superou suas criações anteriores, criando uma referência para gerações de músicos e artistas.
Beethoven ofereceu sua sinfonia como um contra-argumento artístico, proclamando a fraternidade universal através da famosa ode de Schiller “An die Freude” (À Alegria), com versos como “Todos os homens se tornam irmãos”.
A estreia em Viena, em 1824, teve caráter marcadamente político e cultural, quase como um ato subversivo, reafirmando ideais que ainda ecoavam da Revolução Francesa.
Harvey Sachs observa que os seres humanos tendem a cultuar pessoas ou símbolos, mas a escolha do objeto cultuado revela mais sobre quem cultua do que sobre o objeto em si.
“A Nona Sinfonia de Beethoven é mais que música: é um grito de fraternidade universal que atravessou regimes, ideologias e séculos. Mais que arte, a Nona de Beethoven é o som da humanidade buscando liberdade e esperança.”
Harvey Sachs é um ensaísta, crítico musical, biógrafo e regente norte-americano, nascido em Cleveland (EUA), em 1946. É um dos maiores especialistas em música clássica e, em particular, em Beethoven e Toscanini. Ele viveu muitos anos na Europa (Itália e Suíça), onde trabalhou como regente e crítico.
Principais obras: Beethoven: A Life (2017) — biografia abrangente de Beethoven; The Ninth: Beethoven and the World in 1824 (2009), publicado no Brasil como “A Nona Sinfonia”, e Toscanini: Musician of Conscience (2017) — biografia definitiva do maestro Arturo Toscanini, figura que Sachs estudou durante décadas.
Harvey Sachs combina rigor histórico com narrativa acessível, tornando seus livros leitura de referência tanto para músicos quanto para leitores interessados em cultura e história. Ele busca mostrar a música como expressão artística inseparável de seu contexto político e social.


