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A Morte do Brasil.

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Lêdo Ivo escreveu em 1904, “A Morte do Brasil”. Mas, o Brasil não morreuContudo o Brasil não morreu em 1904 e até hoje agoniza. O tempo corre, os nomes mudam, os slogans surgem, mas e perseveram os mesmos mecanismos de captura do Estado.

Lêdo Ivo enxergou o problema no nascimento da República: a promessa de modernidade sendo devorada pelas oligarquias, pelo coronelismo e pela distância entre o poder e o povo.

Era o tempo da Revolta da Vacina, da consolidação da política do café com leite e da frustração republicana. Quinze anos após a queda do Império, o que deveria ser uma refundação nacional já se transformava em uma disputa fechada entre elites políticas e econômicas.

A República mudou a estética do poder, mas não sua essência.

Lêdo Ivo viu uma nação perder a capacidade de construir um destino coletivo. O pessimismo presente na obra não é literário; era político. A crítica continua desconfortavelmente atual.

O Brasil não morreu e anda sem direção estratégica, cego para a própria história e incapaz de romper o ciclo de concentração de poder.
O problema brasileiro nunca foi a ausência de riquezas ou de talentos. Foi a permanente intermediação das elites sobre o destino nacional. Elites que frequentemente governam para preservar posições, e não para construir uma nação.

Por isso, talvez a saída esteja justamente onde quase nunca se procura: no protagonismo popular. Não no povo tratado como massa eleitoral, mas no povo assumindo consciência política, participação e responsabilidade sobre o rumo do país.

Nenhuma nação se transforma quando apenas troca seus administradores. Ela muda quando muda quem segura o leme.

O Brasil segue vivo em agonia.

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