É tempo de campanhas eleitorais, época, portanto, de gente que toma decisões por intuição e por adivinhação, uma sedução quase irresistível pela crença de ser possível tomar decisões complexas e produzir resultados extraordinários.
Histórias de grandes líderes e empreendedores de sucesso reforçam a crença em pessoas que, contrariando manuais e desafiando consensos, alcançaram sucesso apoiados, exclusivamente, num “sexto sentido”.
Eu tenho vários exemplos e você, que me lê, certamente, também terá alguns. Mas é preciso cautela.
A intuição costuma ser fruto de uma longa experiência acumulada, ainda que nem sempre formalizada. O que parece instinto pode ser, na verdade, um repertório vasto de vivências, erros, acertos e observações internalizadas ao longo do tempo.
Visionários não “adivinham” o futuro: eles reconhecem padrões invisíveis para a maioria. E isso não é um dom universal.
Mas, a aposta cega na intuição, sem lastro técnico ou análise consistente, pode levar a decisões precipitadas — especialmente em ambientes complexos como é o ambiente político.
A intuição tem seu papel em cenários de incerteza, onde dados são incompletos e o tempo de decisão é curto. Nesses casos, a intuição pode funcionar como um atalho cognitivo valioso se dialogar diálogo com a análise.
A maturidade na tomada de decisão está em equilibrar dois elementos: a disciplina dos dados, dos processos e da técnica e a sensibilidade adquirida pela experiência.
Em última análise, o verdadeiro erro não está em confiar na intuição — mas em confundi-la com adivinhação.
Adivinhar é um salto no escuro. É uma decisão tomada sem base consistente, sem lastro na experiência organizada ou na análise da realidade. Pode-se até acertar — mas acerta-se como quem joga um dado. Não há método, não há aprendizado estruturado, não há repetibilidade.
A boa gestão de um projeto político exige método, análise, debate — e, sim, também intuição. Mas uma intuição disciplinada, que dialoga com os dados e não se impõe sobre eles.
Portanto, a pergunta “adivinhar é intuir?” Não, não é. Adivinhar é ausência de método. Intuir é presença de experiência. E essa diferença, embora sutil na aparência, é decisiva na prática


