Li, gostei e sugiro:“A Interessante Narrativa da Vida de Olaudah Equiano”.
O livro é uma autobiografia publicada em 1789, mas você pode encontrá-lo na Amazon ou na Estante Virtual.
A obra teve nove edições durante a vida do autor e foi argumento fundamental para a aprovação da lei britânica que, em 1807, proibiu o comércio de escravos no Atlântico.
Embora não emancipasse automaticamente os escravizados, a lei obrigou o Império a pressionar outros países para que acabassem com o comércio de escravos.
Sequestrado ainda criança na África, separado da família, vendido como mercadoria e lançado à brutalidade da escravidão atlântica, Equiano conheceu o pior que um sistema pode impor a um ser humano. Ele teve a infância interrompida pela violência, a identidade negada e a dignidade, constantemente ameaçada.
Dentro desse mesmo sistema que o reduzia à condição de objeto, ele fez algo extraordinário: aprendeu a ler, a escrever, a negociar e compreender o mundo que o oprimia. Ele comprou a própria liberdade e foi libertar outros.
Portanto, o que torna Equiano verdadeiramente grandioso é o que ele fez depois de se libertar. Ele não virou as costas aos semelhantes; ele não se acomodou, nem reproduziu a lógica da opressão, que leva os oprimidos a assumirem o papel de opressores, assim que libertados da opressão. Quase um lema político de quem chega ao poder.
Equiano, em Londres, ele tornou-se uma das vozes mais importantes do movimento abolicionista. Denunciou massacres, enfrentou interesses econômicos poderosos e, sobretudo, escreveu, utilizando a escrita como instrumento de libertação.
O verbo fez-se liberdade!
A autobiografia de Equiano foi um ato político. Um grito ao mundo, para afirmar que os africanos não eram mercadorias, mas seres humanos plenos, dotados de inteligência, sensibilidade e dignidade.
Equiano fez da dor consciência e da liberdade um ato de responsabilidade com o próximo. Talvez a sua maior lição esteja justamente aí: libertar-se não é suficiente se não se luta para libertar os outros.
Para Equiano a liberdade não era apenas sair das correntes, mas recusar-se a permitir que elas permanecessem acorrentando outras pessoas.
E isso, ainda hoje, é profundamente revolucionário e essencial para o povo brasileiro que assiste, quase impotente, os agentes do Estado escravizá-lo, tomando-lhe a identidade e a dignidade.
Ora, Deus, se temos consciência da liberdade, façamos de tudo, para que todo o povo a tenha.


